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Concluintes do curso Técnico em Agropecuária conhecem pesquisas com pirarucu na Embrapa

Publicado: Quarta, 18 de Abril de 2018, 10h59

Alunos observam manejo no tanque da Embrapa. Foto: Dulcivania Freitas (Embrapa)

Estudantes de duas turmas concluintes do curso Técnico em Agropecuária do campus Porto Grande do Instituto Federal do Amapá (Ifap) conheceram in loco, na última sexta-feira (13/4), as pesquisas da Embrapa Amapá realizadas no Campo Experimental de Fazendinha, em Macapá, referentes ao manejo nutricional e reprodutivo do pirarucu. A programação constou de palestras interativas e demonstrações práticas sobre alimentação de alevinos e matrizes, manejo reprodutivo, manejo alimentar, captura, pesagem e biometria de pirarucu. A visita técnica aconteceu na área onde foram escavados três tanques, para fins de pesquisas com o pirarucu, viabilizados por meio de convênios entre a Embrapa Amapá, o Sebrae Amapá e a empresa Pronorte.
 
Dois tanques medem 35 x 35 metros e um tanque tem dimensão de 35 x 70 metros. Em um tanque de 35 x 35m, são mantidos 135 pirarucus jovens (alevinos), que estão passando por processo de seleção para serem futuras matrizes (reprodutores); no outro tanque de 35 x 35m estão dois pirarucus adultos (matrizes / reprodutores) e no tanque maior, 70 x 35m, a Embrapa mantém seis pirarucus adultos (matrizes/reprodutores). Estes animais estão há dez meses nas instalações da Embrapa Amapá e os pirarucus adultos estão passando, atualmente, pelo primeiro ciclo reprodutivo.
 
O professor Bruno Lacerda Denucci, da disciplina Aquicultura, responsável pela visita juntamente com o professor de Biologia Wladson da Silva Leite, explicou que a atividade faz parte de uma cooperação entre o Ifap e a Embrapa. “Vejo que é fundamental ter atividades como esta, como complemento da parte teórica para ampliar o conhecimento sobre as peculiaridades da reprodução e alimentação do pirarucu, que é o foco da nossa visita técnica, e da importância desta espécie no contexto do Amapá, em função das condições climáticas e de toda a quantidade de água disponível para criação do pirarucu”, destacou Denucci.
 
Os estudantes irão elaborar relatório individual sobre o conteúdo apresentado pela Embrapa, que valerá também como exercício de redação para a prova do Enem. O estudante José Cesar Nascimento Nunes, 18 anos, residente na cidade de Porto Grande, ressaltou que a programação foi “muito importante para todos nós, e certamente é um conhecimento importante também para os produtores e consumidores, que precisam saber que é possível o manejo qualificado de pirarucus”.
 
Em uma dinâmica de interação com os alunos, a pesquisadora da Embrapa Eliane Yoshioka falou sobre a importância dos carboidratos, proteínas e lipídios necessários para a saúde do organismo humanos, e que também são necessários para o desenvolvimento saudável dos peixes em cativeiro. Apontando as amostras de ração extrusada e peletizada, de variados tamanhos, ela destacou que é fundamental a escolha de uma ração composta de nutrientes “porque eles (os peixes) ficam confinados, então nós somos responsáveis por atender as necessidades nutricionais deles”.
 
A variação significativa do preço da saca de ração, com 25 quilos, para peixes também foi um assunto abordado. Eliane explicou que a saca pode custar R$ 40, como também pode ter preço de R$ 380, dependendo do percentual de proteína, da procedência (se nacional ou importada). “Além disso, a marca da ração influencia no preço, porque depende da fábrica, da qualidade do ingrediente utilizado para produzir a ração”, acrescentou. Entre os procedimentos com relação ao armazenamento da ração, a pesquisadora frisou atenção ao uso estrito dentro do prazo de validade, ou seja, o mesmo cuidado que é observado com os alimentos para as pessoas, “senão o peixe adoece, cresce pouco”. A dica é nunca armazenar direto no chão ou próximo a paredes, para evitar o risco da ração umedecer. “E atenção, se encontrarem um grãozinho com fungo, descartem a saca toda”.
 
De acordo com o pesquisador da Embrapa Cesar Santos, supervisor do Campo Experimental de Fazendinha, o objetivo foi demonstrar a importância do manejo do pirarucu para reprodução e que este procedimento envolve manejo de adultos (reprodutores) e de alevinos (recém-nascidos). “Como o pirarucu é carnívoro, ou seja, se alimenta de outros peixes, então para você criar o pirarucu precisa treiná-lo desde a fase de alevino a aceitar a ração, porque ele é acostumado a caçar ativamente o peixe, e a ração fica parada na água, é inerte, então não tem o estímulo da caça à presa”, explicou o pesquisador.
 
Santos ressaltou ainda que o foco das pesquisas é atuar na cadeia produtiva do alevino. “Não estamos falando do peixe fresco para abate, mas sim para produção e comercialização de alevinos, porque é um nicho importante de mercado local e representa uma oportunidade de negócio para os produtores”. Diferentemente de outros peixes em que os alevinos são vendidos por milheiro, a exemplo do tambaqui, o alevino do pirarucu é vendido por unidade, sendo que cada unidade é avaliada por centímetro. O preço médio atual de mercado é R$ 1 o centímetro do pirarucu.
 
Equipe - Participaram da visita 42 alunos e também os servidores Felipe Brener (zootecnista), Aline Santos (engenheira agrônoma), Elton (operador de máquinas), Eduardo (técnico em Agropecuária e engenheiro agrônomo), Luiz Sabioni (médico veterinário), Jamil Silva (químico).
 
Por Dulcivania Freitas, jornalista da Embrapa Amapá
 
Acesse a notícia completa no portal da Embrapa Amapá
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